top of page

Estudar com PHDA: compreender o comportamento para apoiar o sucesso



A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha muitas pessoas ao longo da vida. Em contexto académico, pode traduzir‑se em desafios significativos que, quando não são devidamente compreendidos, afetam não só o desempenho escolar, mas também a autoestima, a motivação e a relação com a aprendizagem.

Falar de PHDA exige um olhar informado, baseado na ciência, mas também profundamente humano. A neurodiversidade lembra‑nos que não existe uma única forma “certa” de aprender ou de se concentrar — existem, sim, diferentes perfis neurológicos, cada um com as suas necessidades, forças e desafios.


PHDA e dificuldades nos estudos


Pessoas com PHDA podem apresentar dificuldades como:

  • Manter a atenção sustentada em tarefas longas ou pouco estimulantes;

  • Organizar o estudo, gerir o tempo e planear trabalhos;

  • Iniciar tarefas (procrastinação) ou concluí‑las dentro dos prazos;

  • Regular a impulsividade, nomeadamente em sala de aula ou em avaliações;

  • Lidar com frustração, falhas repetidas ou feedback negativo.


Importa sublinhar que estas dificuldades não estão relacionadas com falta de inteligência, interesse ou esforço. Pelo contrário, muitos estudantes com PHDA demonstram criatividade elevada, pensamento rápido, capacidade de hiperfoco em áreas de interesse e grande sensibilidade ao contexto.

Quando o ambiente académico não se ajusta ao seu perfil, o custo emocional pode ser elevado: ansiedade, desmotivação, evitamento do estudo e, em alguns casos, abandono escolar.


A importância de intervenções baseadas na evidência


A resposta a estas dificuldades deve ir além de estratégias genéricas ou conselhos bem‑intencionados. A ciência do comportamento oferece ferramentas sólidas para compreender como o comportamento é influenciado pelo ambiente e como pequenas alterações podem gerar mudanças significativas e sustentáveis.

É neste contexto que a Análise Comportamental Aplicada (ABA) pode ter um papel relevante.


O que é a Análise Comportamental Aplicada (ABA)?


A ABA é uma ciência que estuda a relação entre o comportamento humano e o ambiente, com o objetivo de promover comportamentos socialmente significativos e melhorar a qualidade de vida. Baseia‑se em décadas de investigação científica e é aplicada de forma ética, individualizada e orientada por dados.

Embora seja frequentemente associada a contextos clínicos ou educativos específicos, os princípios da ABA são amplamente aplicáveis a situações do dia a dia — incluindo o estudo e a aprendizagem em pessoas com PHDA.


Como a ABA pode ajudar estudantes com PHDA


A intervenção baseada em ABA não procura “normalizar” a pessoa, mas sim adaptar o ambiente, as estratégias e as expectativas ao seu perfil neurodivergente. Alguns exemplos de como pode ajudar:


1. Análise funcional das dificuldades

Em vez de perguntar apenas “o que está a correr mal?”, a ABA pergunta “em que condições isto acontece?”. Identificar antecedentes (por exemplo, tipo de tarefa, horário, contexto) e consequências permite compreender por que razão certas dificuldades persistem.


2. Estrutura e previsibilidade

Estratégias como rotinas de estudo claras, divisão de tarefas em passos pequenos e objetivos mensuráveis reduzem a sobrecarga cognitiva e aumentam a probabilidade de sucesso.


3. Gestão do tempo e iniciação de tarefas

Através de reforço positivo, monitorização de progresso e ajustes graduais, é possível trabalhar competências como iniciar o estudo, manter o envolvimento e concluir tarefas.


4. Reforço focado no processo, não apenas no resultado

Para muitos estudantes com PHDA, o esforço não é visível nos resultados imediatos. A ABA valoriza comportamentos como tentar, persistir e pedir ajuda, promovendo motivação e autoeficácia.


5. Autorregulação e autoconsciência

Com apoio adequado, a pessoa aprende a reconhecer padrões próprios de atenção, energia e distração, desenvolvendo estratégias personalizadas para diferentes contextos académicos.


Uma abordagem ética, colaborativa e respeitadora


Uma intervenção eficaz em PHDA deve ser colaborativa, envolvendo o estudante, a família (quando aplicável) e o contexto educativo. Na ABA contemporânea, a voz da pessoa é central: os objetivos devem ser significativos para ela e alinhados com os seus valores.

Respeitar a neurodiversidade implica reconhecer que o objetivo não é eliminar características da PHDA, mas reduzir barreiras e potenciar competências, promovendo autonomia e bem‑estar.


Considerações finais


A PHDA nos estudos não é uma questão de falta de vontade, mas de necessidades específicas num sistema muitas vezes pouco flexível. A Análise Comportamental Aplicada, quando praticada de forma ética e informada pela neurodiversidade, pode ser uma aliada valiosa na construção de percursos académicos mais acessíveis, humanos e eficazes.

Com conhecimento científico, sensibilidade clínica e respeito pela individualidade, é possível transformar dificuldades em oportunidades de crescimento — não apesar da neurodiversidade, mas com ela.

 
 
 

Comentários


bottom of page